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O caso João de Deus e a relação entre poder masculino, sofrimento da mulher e abuso sexual

Geralmente não falamos muito desse tipo de assunto aqui, mas é preciso remover os véus e os pactos de silêncio, vergonha e medo que permeiam os diferentes ambientes e papeis na nossa sociedade no que se refere ao abuso sexual de mulheres. É importantíssimo prestarmos atenção no quanto os abusos sexuais e estupros acontecem a partir de homens que se sentem de alguma forma com poder sobre a mulher.

… abusos sexuais e estupros acontecem a partir de homens que se sentem de alguma forma com poder sobre a mulher.

Esta, muitas vezes se sente dependente desse homem em função de alguma coisa, seja de sobrevivência própria ou dos filhos (pai, padrasto, marido, tutor, provedor, chefe, patrão), seja da cura de uma doença (médico, psiquiatra, pastor, médium), de uma orientação ou “salvação” espiritual (padre, pastor, médium, “conselheiro espiritual”). De um homem que ela entende como sendo, sob algum aspecto, superior a ela ou com poder maior que o dela.

De um homem que ela entende como sendo, sob algum aspecto, superior a ela ou com poder maior que o dela.

São homens que se aproveitam da fragilidade geral ou momentânea da mulher, da necessidade de apoio, orientação ou cura que ela apresenta, e claramente se aproveitam de algo muito, muito caro a cada um de nós, homens ou mulheres: a confiança, também conhecida como em alguém que tem um histórico, uma reputação profissional e social.

Quem nunca ouviu ou mesmo pronunciou frases como:

  • Doutor, eu tenho fé no senhor e na sua competência para me tratar.
  • Padre, confio no senhor, pois sei que é inspirado por Deus.
  • Pai, eu sei que você me ama e não vai fazer nada que me machuque.

Os casos recém denunciados, relatados e apresentados no programa Conversa com Bial de sexta-feira dia 07/12/2018, da Globo News, sobre mulheres que sofreram abuso sexual e estupro pelo dito médium João de Deus, reforçam essa relação entre poder, sofrimento e abuso.

Como evitar, como prevenir essa forma torpe de abuso, que se aproveita dos momentos mais sofridos da vida das mulheres para obter uma satisfação sexual momentânea para eles que vai marcar dolorosamente a vida delas para sempre?

Informação e conhecimento

Buscar entre outras mulheres, em sites, em livros, em grupos de ajuda, em artigos científicos ou não todo tipo de informação que possa ajudar a identificar comportamentos, fatores e situações que favorecem a ocorrência de abuso sexual.

Comunicação e suporte

Fale, converse com amigas, com irmãs, mãe, tias, com colegas, com suas filhas desde pequenas. Quando elas tiverem algo a ser discutido, quando quiserem desabafar, quando quiserem um apoio emocional, um conselho ou orientação esteja sempre disponível para elas. Não julgue, não culpe: acolha, abrace, ampare. Busque você também o apoio de outras mulheres.

Observação e proteção

Permaneça alerta e atenta a comportamentos, fatores e situações que favoreçam a ocorrência de abuso sexual.  Nem sempre vão ocorrer, não é uma regra geral, ainda existem mais homens bons do que maus e também aqui se aplica a Lei de Pareto dos 80/20. A esmagadora maioria é de gente boa e do bem. Mas os 20% estão espalhados por aí, em todos os ambientes que nós vivemos e circulamos. Proteja a si e às mulheres do seu círculo familiar, de amizade, de trabalho, e mesmo às que simplesmente estão passando na rua por você. Somos todas mulheres. Somos todas uma.

Denúncia

Não silencie. Se você passar pela situação, assim que conseguir falar, fale. Conte. Denuncie. Processe. Se outra mulher tiver passado e você presenciou ou ficou sabendo, fale. Conte. Denuncie. LIGUE 180.

Acredite em você. Desperte e fortaleça-se.

Por fim, é fundamental lembrar que quando se fala em espiritualidade, em superação dos males, sejam físicos, materiais, emocionais ou espirituais a verdadeira “divindade” e poder se encontram dentro de nós, e não fora de nós.

Os “milagres” acontecem pela nossa própria força e vontade de mudança, a partir, primeiro, do nosso interesse, e em seguida do nosso aprendizado e prática de técnicas de equilíbrio pessoal, de empoderamento.

Não deposite em terceiros a confiança que precisa ser alimentada e fortalecida dentro de você mesma!

Ana Manssour
Relações Públicas pela PUC-RS, com aperfeiçoamento em Comunicação Empresarial pela ESPM-RS e mestre em Administração com ênfase em Organizações pela UFRGS. Conta com mais de 35 anos de carreira profissional em vários segmentos de mercado. Foi professora em cursos de graduação e pós-graduação no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Fundou e foi sócia por sete anos do portal feminino Plena Mulher. Casada, mãe de quatro meninas e avó de uma menina e um menino, atualmente redireciona toda a experiência profissional, acadêmica, familiar e pessoal para apoiar o empoderamento feminino por meio do Verbo Mulher, negócio de impacto iniciado em 2015 e criado para reunir, integrar, educar e apoiar as mulheres executivas, empresárias e empreendedoras que buscam realização pessoal e profissional.

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