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E se eu desaparecesse hoje?


  • “Se eu desaparecesse hoje, que diferença faria no mundo? Quem ficaria triste, por quanto tempo?” Esses são questionamentos que na adolescência é muito comum fazermos. Eu mesma fiz algumas dezenas de vezes.

Apesar disso, nunca passou pela minha cabeça tirar a própria vida, por pior que fosse o problema vivido. Há alguns anos, minha terapeuta na época pediu um teste psicológico e entre os apontamentos estava o de que eu não tinha tendências suicidas.

Mas, infelizmente, nem todos têm essas características. Matéria publicada no site da Revista Superinteressante relevou que, todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida.

“Quase 1 milhão de pessoas se matam por ano, uma a cada 40 segundos
- são mais vítimas que todas as guerras, homicídios e conflitos 
civis somados. E, para cada morte por suicídio, existem outras 
10 ou 20 pessoas que já tentaram fazer o mesmo.”
(Revista Superinteressante, set/2018)

Os dados são assustadores e extremamente tristes. Mesmo em um mundo em que com um celular nas mãos temos contato com dezenas, centenas de pessoas, ainda nos sentimos sós muitas vezes.

Não sei se você que está me lendo nesse instante já passou pela situação de estar triste, extremamente triste e sentir que não tem com quem falar. Ou as pessoas estão ocupadas com seus afazeres e você sabe que não vai adiantar tentar desabafar.

Ou então sabe que se contar o motivo da sua tristeza talvez vá ouvir de volta: “Ah, mas que bobeira, você tem tanta coisa boa a sua volta, é perfeita fisicamente, está saudável, tem emprego… Deixa de mimimi, ergue a cabeça.”

São os mais diversos tipo de afirmações que não vão nos ajudar em nada, apenas nos deixar mais tristes, por justamente estarmos tristes. E então vamos carregando a tristeza, até que uma hora ela vai embora.

Mas, para algumas pessoas, principalmente as que sofrem de depressão, aquela tristeza pode até ir, mas uma hora ela volta e aí, talvez naquele dia ela doa tanto, mas tanto, que a pessoa não veja outra alternativa a não ser tirar a própria vida.

Não estou dizendo aqui que quando alguém tira a própria vida o faz por culpa dos outros porque isso seria extremamente leviano e doloroso. Mas a minha proposta de reflexão é de que nos olhássemos mais.

Que pudéssemos ter mais tempo para os amigos, os familiares, os colegas de trabalho, até mesmo que pudéssemos prestar atenção, por exemplo, em desabafos de pessoas através das redes sociais. Que possamos exercer a empatia. Talvez, quando alguém vier a desabar, que não nos enchamos de sabedoria, apontando os motivos que a pessoa tem para se sentir feliz. Muitas vezes ela só quer falar e sentir que é ouvida.

Que possamos desenvolver a sensibilidade de entender o que a pessoa precisa naquele momento. Que estejamos de coração aberto para ouvir quando necessário, aconselhar quando solicitados…

E se você que me lê sente tristeza constante, se pela sua cabeça passam pensamentos que não são tão legais, não tenha vergonha de buscar ajuda psicológica. O terapeuta estudou justamente para nos ouvir sem apontar se estamos certos ou errados, mas para nos ajudar a refletir melhor sobre nossos comportamentos, medos, inseguranças.

Existe também o serviço do CVV que funciona 24 horas através do número 141.

E sempre, sempre existe um amigo, um familiar, um colega disposto a te ouvir. Tente, não desista de você. Se você desaparecer hoje, acredite, muita gente vai sentir a sua falta, a sua presença no mundo faz toda a diferença.

 

Fonte: Revista Superinteressante

Adriana Franco
Jornalista formada pela Universidade Metodista, pós-graduanda em Projetos Sociais e Políticas Públicas pelo SENAC. Assessora de Imprensa e Produtora de Conteúdo

2 Comentários

  1. Tata disse:

    Obrigada, 😢
    Eu precisava “ouvir” isso hoje!
    Bj

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