Não há Paz sem preservação do Planeta
12 de fevereiro de 2019
Show all

É preciso falar sobre representatividade

No sábado, dia 16 de fevereiro, as redes sociais foram invadidas por comemorações a respeito da estreia da jornalista Maria Júlia Coutinho na bancada do Jornal Nacional. Maju, como é conhecida, foi a primeira mulher negra a apresentar um dos principais telejornais brasileiros.

Mas nem só as comemorações invadiram as redes sociais. Houve também quem questionasse a o fato com fotos da jornalista Glória Maria frente ao telejornal, ou afirmando que racismo é comemorar uma jornalista estar à frente do Jornal Nacional apenas por ser negra e não pelo seu talento. Isso sem falar nos ataques racistas que a jornalista, infelizmente, sofreu.

Diante desse cenário valem alguns esclarecimentos: Glória Maria nunca esteve na bancada do Jornal Nacional, mas sim do Jornal Hoje e do Fantástico. Já sobre o talento e a competência de Maria Júlia Coutinho eles são indiscutíveis, caso contrário ela não teria nem sido cogitada para a bancada. Mas não é apenas isso, vê-la no Jornal Nacional tem um significado ainda maior: a representatividade.

Existem diversos relatos de crianças e jovens negras que chegam a chorar porque gostariam de ser, por exemplo, como Xuxa, Angélica. Todas as bonecas até bem pouco tempo atrás eram brancas e loiras.

Aos poucos esse cenário vem mudando. As crianças negras podem sonhar em ser Maju, Thais Araújo. Os meninos têm referências como Lázaro Ramos, o jornalista Heraldo Pereira, que também ocupa vez ou outra a bancada do Jornal Nacional. Isso sem falar no significado do filme Pantera Negra, com elenco principal formado por negros. O sucesso do filme, com indicação ao Oscar, é uma prova de que o mundo está, sim, mudando nesse aspecto.

Apesar disso tudo, tolo aquele que ainda custa a acreditar que vivemos em uma sociedade preconceituosa em relação a cor da pele, a opção sexual; aqueles que consideram a necessidade de representatividade uma espécie de “vitimismo” ou “preconceito inverso” precisam, a meu ver, praticar a empatia.

Todos nós em algum momento da vida nos inspiramos nas atitudes, nos gestos, no talento de alguém para nos tornamos melhores, seja como seres humanos, seja como profissionais.

Quantas vezes eu, aos 47 anos de idade, não me inspirei em mulheres como Merryl Streep, Fernanda Montenegro, Sandra Bullock, para acreditar que, apesar de os 50 estarem batendo à minha porta, eu posso, sim, manter a autoestima elevada? Posso acreditar que tenho muito a realizar como mulher, como profissional, apesar de todo preconceito que as pessoas mais velhas sofrem no mercado de trabalho, por exemplo?

Chegará o dia em que talvez nada disso seja necessário, em que a sociedade seja justa para todos, com direitos e chances iguais, mas até lá ainda existe um longo caminho a percorrer e por enquanto é preciso falarmos de representatividade sim.

Adriana Franco
Jornalista formada pela Universidade Metodista, pós-graduanda em Projetos Sociais e Políticas Públicas pelo SENAC. Assessora de Imprensa e Produtora de Conteúdo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *