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A maternidade como uma causa da desigualdade de gênero no trabalho

“Step in Inequality” (Pise na Desiguladade)

Desde 2016, a intervenção “Step in Inequality” (Pise na Desiguladade), um trabalho criativo e autoexplicativo desenvolvido na escola de publicidade Miami Ad School, faz sucesso na visualização da realidade da desigualdade de gênero quando o assunto é carreira de homens e mulheres nas empresas.

Caso você ainda não conheça, vale a pena ler sobre ela aqui e aqui

Ontem vi novamente um compartilhamento desse trabalho, e senti que estava na hora de falar sobre uma questão sobre a qual há muito tempo tenho um posicionamento e tenho evitado comentar por pura indisposição de ter que argumentar e defender meu ponto de vista nestes tempos de extremismos.

Para o mercado de trabalho e para as empresas, nós, mulheres, temos dois grandes “defeitos”:

  1. A capacidade que somente nossos úteros têm de gestar novos seres humanos, e
  2. a competência e cada vez maior “obrigação” de sermos nutrizes, cuidadoras e educadoras, com exclusividade, por um tempo cada vez mais longo.

Parece haver um complô da própria comunidade científica – reforçada pela romantização da maternidade, esta exaltada especialmente nas redes sociais – que maximiza os deveres e obrigações maternos.

Estendem a necessidade de “dedicação exclusiva” das mães com seus filhos por períodos cada vez maiores. E, também, minimizam a importância dos outros papéis, desejos, projetos, aspirações e sonhos que esse ser chamado “mulher” tenha, porque, uma vez mãe, todo o resto não importa.

Isso, claramente, tem efeitos desastrosos e, em grande parte das vezes, irreversíveis nas carreiras e aspirações profissionais femininas.

É preciso evitar o extremismo em tudo, inclusive na reatividade empresarial e na maternidade. O equilíbrio sempre é o melhor caminho, guiado pelo bom senso.

Ser uma boa mãe e criar filhos saudáveis não deve impedir as mulheres de retornarem mais cedo ao trabalho, preferencialmente em ritmo reduzido.

Por outro lado, as empresas precisam repensar muitas de suas políticas, e não só de recrutamento e seleção, avaliação de desempenho, planos de carreira e promoções e de horários de expediente e trabalho à distância.

Há outros pontos a serem trabalhados, mas que mexem com questões culturais empresariais como orgulho, status e aparências corporativas – ainda que em detrimento da reputação real.

Por outro lado, é necessário que as mulheres – e homens, e famílias, e sociedade – tenham em mente que só uma mulher feliz e realizada é capaz e competente para ter, criar, educar e fazer crescer filhos felizes, realizados, capazes e competentes para a vida. Para isso, para uma parte significativa do público feminino, continuar trabalhando e seguir carreira ombro a ombro com os homens é fundamental para a realização como pessoa, como mulher e como mãe.

Para aquelas empresas e mulheres que se sentem prontas a encarar uma mudança verdadeira, oferecemos todo nosso apoio e experiência.

Ana Manssour
Relações Públicas pela PUC-RS, com aperfeiçoamento em Comunicação Empresarial pela ESPM-RS e mestre em Administração com ênfase em Organizações pela UFRGS. Conta com mais de 35 anos de carreira profissional em vários segmentos de mercado. Foi professora em cursos de graduação e pós-graduação no Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Fundou e foi sócia por sete anos do portal feminino Plena Mulher. Casada, mãe de quatro meninas e avó de uma menina e um menino, atualmente redireciona toda a experiência profissional, acadêmica, familiar e pessoal para apoiar o empoderamento feminino por meio do Verbo Mulher, negócio de impacto iniciado em 2015 e criado para reunir, integrar, educar e apoiar as mulheres executivas, empresárias e empreendedoras que buscam realização pessoal e profissional.

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